segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Futsal ou Futebol de Salão: Uma Breve Resenha Histórica





Wilton Carlos de Santana
Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)
Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)






Sempre ouço e leio, repetidas vezes, ambos os termos serem adotados. "A equipe de futsal da Seleção Brasileira..."; "... os jogadores de futebol de salão do Sul do País..."; "... a disciplina de futsal"; "... a pesquisa em futebol de salão". Afinal, futsal e futebol de salão têm o mesmo significado ou futsal é apenas uma abreviação vocabular de futebol de salão? Quem joga/trabalha/estuda/escreve sobre futsal refere-se ao futebol de salão e vice-versa?

Nem uma coisa nem outra: futsal não é futebol de salão, tampouco uma abreviação vocabular. Quem joga, escreve, trabalha ou estuda futsal, não joga, escreve, trabalha ou estuda futebol de salão. Como entender isso?

Façamos uma breve contextualização de ambos. O futebol de salão surgiu na década de 30, é um esporte sob a direção da FIFUSA (Federação Internacional de Futebol de Salão), praticado atualmente em muitos países, inclusive no Brasil. O último Campeonato Mundial foi realizado na Bolívia, em 2000. A Colômbia é a atual campeã mundial. Em linhas gerais, suas regras são as mesmas que surgiram na década de 50, e que foram adotadas pela FIFUSA, na década de 70: arremesso lateral e de canto com as mãos, não vale marcar gol dentro da área, o goleiro não pode jogar fora da área, tem limite para substituição de jogadores...

O futsal, por sua vez, surgiu no final da década de 80 e início da de 90. É resultado de uma fusão entre o futebol de salão, praticado pela FIFUSA e o futebol cinco, implantado pela FIFA (Federation Internationale de Football Association) - não que a FIFUSA tenha aprovado ou participado de tal fusão. Logo, é um esporte sob a direção da FIFA, a mesma entidade que rege o futebol e praticado em muitos países. No Brasil, todas as federações filiadas à Confederação Brasileira de Futebol de Salão praticam-no. Por extensão, é a modalidade que se pratica nos clubes e escolas brasileiras. Em linhas gerais, suas regras atuais são o resultado de várias modificações ocorridas do início da década de 90 para cá. Como por exemplo: arremesso (ainda que o termo seja inadequado, pois quem arremessa o faz com as mãos) lateral e de canto cobrados com os pés, validade do gol dentro da área, o goleiro pode jogar com os pés fora da área, não tem limite para substituições de jogadores, a bola é maior e mais leve desde as categorias menores...

Enquanto o futebol de salão é uma modalidade marginalizada (vive à margem), o futsal é um esporte em ascensão, com um presente fecundo e um futuro promissor.

Na realidade, em determinado momento histórico - mais precisamente no final da década de 80 - houve um interesse singular da FIFA em apropriar-se do então chamado futebol de salão. A entidade procurou a FIFUSA - o mantenedor do esporte - para concretizar seu objetivo, mas não obteve sucesso. No que pese o insucesso, a FIFA, em 1989, promoveu o 1º. Campeonato Mundial de Futebol Cinco, na Holanda. O futebol cinco, praticado na Europa, era o futebol de salão com alterações nas suas regras. A Seleção Brasileira foi campeã do evento. Participaram da conquista os principais jogadores de futebol de salão da época. Na seqüência, o Brasil vinculou-se oficialmente a FIFA, via CBFS (Confederação Brasileira de Futebol de Salão) e, a partir daí, muitos outros países seguiram o mesmo caminho.

Surge então o futsal: uma fusão entre o futebol cinco (FIFA) e o futebol de salão (FIFUSA). Pode-se dizer que o futebol de salão é o precursor do futsal. A Liga Nacional, que desde 1996, congrega as principais equipes brasileiras é de futsal e não de futebol de Salão. Os jogadores que disputam essa Liga são os convocados para a Seleção Brasileira de Futsal. As equipes filiadas às federações de futebol de salão estaduais jogam futsal e não futebol de salão. A Confederação Brasileira da modalidade (CBFS), apesar de carregar o nome futebol de salão, promove eventos de futsal (Taça Brasil, Campeonato Brasileiro de Seleções, Liga Nacional, Desafios Internacionais) e não de futebol de salão.

Nesse contexto, o Brasil, tem cinco títulos de campeão mundial: 1982 e 85 (futebol de salão), 89 (futebol cinco), 92 e 96 (futsal). Para todos os efeitos, o Brasil poderá conquistar o hexacampeonato jogando futsal.

Em síntese: no Brasil, as crianças, na escola, aprendem a jogar futsal; as equipes de competição filiadas às Federações jogam futsal; quem manda no futsal nacional é a Confederação Brasileira de Futebol de Salão; quem manda no futsal mundial é a FIFA.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pseudo Férias



Há quem diga que ser professor é bom por nós termos férias 2 vezes por ano. Tenho amigos que dizem que é moleza assim. O que ninguém vê e muito menos sabe é o que faço durante elas. Entre uma saída e outra, entre um cochilo e outro há várias coisas que me tiram o sono e que me ocupa o tempo durante o meu "descanso'.

Ver e rever tudo o que foi trabalhado no ano anterior, repensar minhas práticas e condutas enquanto educadora procurando pontuar acertos e erros e assim tentar melhorar para o ano seguinte. Fazer planos de curso e planos de aula também consomem as minhas férias.
Encontro nesse entremeio quem me critique por planejar aulas durante as férias sem que ao menos eu conheça as características das minhas turmas. Pois então, acham que isso também não me tira o sono? Pois saibam que sim. Só que essa foi a melhor forma que encontrei pra trabalhar com 3 níveis diferentes de ensino: infantil, fundamental menor e maior. Ao decorrer do ano e das aulas vou fazendo as modificações que achar necessária.
Assim curto as minhas férias, entre papéis, livros, planejamentos e pensamentos. E pra quem diz que ser professor é bom, pois creiam que apesar das adversidades é bom mesmo, mas não por causa das férias, mas sim por conta daquilo que podemos significar na vida de alguém.
Finalizo o meu post desejando a todos um Feliz Natal e que 2011 seja um ano com mais realizações que este está acabando, que possamos acreditar cada vez mais em uma educação de qualidade para todos

domingo, 7 de novembro de 2010

Realização de um sonho!


Ainda me lembro, como se fosse hoje, dos meus tempos e colégio; na verdade, pra ser mais exata, do meu Ensino Médio; época da vida que todos nós devemos tomar uma decisão muito importante. O que prestar no vestibular? Algo pra se fazer para o resto da vida. As dúvidas eram enormes, mas tinha certeza de uma coisa não poderia ser nada ligado à matemática, cálculos, números. Sempre tive uma tendência e uma facilidade a tudo que estava ligado à biologia, à saúde. Então o que fazer? Enfermagem? Medicina? Odontologia? Não! Para tais atividades nunca senti atração, tesão mesmo.

Queria algo em que pudesse intervir mais efetivamente na vida das pessoas, que significasse algo real e concreto para elas e que me enchesse os olhos de lágrimas, o peito de orgulho. Ciências Biológicas? Educação Física? Ser Professora? É Educação Física! É, ser professora! Por que não? Meus pais não gostaram muito d idéia afinal, ser professora não dá “status” e muito menos dinheiro. Mas a decisão era minha. Decidi por Educação Física, por ser a única coisa com a qual eu me identificava.

Em 2003 passei no vestibular e fui cursar Educação Física, aos poucos passei a entrar em contato com as disciplinas específicas do curso e a conhecer a outra face da moeda. Educação Física não era só esporte? Mas como isso? Quando dei pó mim, pronto, estava eu encantada, apaixonada por esse novo universo. Ser professora não era simplesmente dar aulas, passar conteúdos. Era criar laços, trocar experiências, ser referência, fazer a diferença na vida de alguém. Sentia isso pulsar em minhas veias, brilhar nos olhos.

Hoje, 7 de novembro de 2010, faz 3 anos que estou formada, e durante esse período pensei por diversas vezes em desistir da profissão. A vida fora dos muros da Universidade não é nada fácil. Adaptar-se a um sistema de ensino completamente falido é uma das tarefas mais complexas, aliada à baixa remuneração e à constante desvalorização do professor.

Atualmente, ser professora, principalmente de Educação Física, é algo praticamente quixotesco. Às vezes me sinto lutando por algo que não existe mais. Mas ser professora também tem o outro lado da moeda, para cada coisa existe um ônus e um bônus. E são justamente os bônus que me fazem seguir adiante.

Um sorriso, um abraço, um olhar, um gesto! Isso é capaz de me motivar a seguir adiante. Tentar a cada aula dar o melhor de mim.

Ao escrever aqui sinto os mesmos sentimentos de outrora. O coração bate mais forte, lágrimas me enchem os olhos. Sonhos percorrem minha mente. O tesão ainda está vivo, circula dentro de mim. E basta me lembrar que enquanto eu puder fazer a diferença na vida de um único ser que seja todas as dificuldades valerão à pena.

Termino este post com estes versos de Mário Lago que resumem o sentimento que tenho de ser professora.

"Fazer um céu com pouco a gente faz; basta uma estrela, uma estrela e nada mais. Pra ter nas mãos o mundo, basta uma ilusão, um grão de areia é o mundo em nossa mão. Sonhar é dar à vida nova cor, dar gosto bom às lágrimas de dor.
O sol pode apagar, o mar perder a voz, mas nunca morre um sonho bom dentro de nós.”