quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

História do Atletismo



Nos primórdios de nossa civilização, começa a história do atletismo. O homem das cavernas, de forma natural, praticava uma série de movimentos, nas atividades de caça, em sua defesa própria etc. Ele saltava, corria, lançava, enfim desenvolvia uma série de habilidades relacionadas com as diversas provas de uma competição de atletismo. Podemos verificar que as provas de atletismo são atividades naturais e fundamentais do homem: o andar, o correr, o saltar e o arremessar. Por esta razão, é considerado o atletismo o "esporte base" e suas provas competitivas compõem-se de marchas, corridas, saltos e arremessos. Além disso, o desenvolvimento dessas habilidades são necessárias à prática de outras modalidades esportivas.

Por exemplo, podemos observar um jogador em atividade numa partida de futebol, basquete ou voleibol. Durante o jogo, ele anda, outras vezes, corre, salta e pratica arremessos. Por isso, um jogador de futebol, basquete ou voleibol procura sempre desenvolver essas habilidades que são "base" dos conjuntos de atividade física do praticante dessas modalidades.

A história do atletismo se inicia com a própria história da humanidade, quando o homem primitivo praticava suas atividades naturais para sobrevivência. Chega mesmo a se confundir com a mitologia, quando observamos o período da Antigüidade Clássica, com os Jogos Olímpicos que deram origem aos atuais Jogos Olímpicos da Era Moderna, que trazem como reminiscência cultural mais marcante a figura de Discóbulo de Miron..

Atletismo é a designação comum às atividades desportivas em geral, de carácter competitivo e recreativo, realizadas individualmente ou entre equipes (Corridas: pista, cross-country e rua, marcha atlética, lançamentos e saltos).

Atletismo na Pré-História

O ser humano já praticava algumas das modalidades do atletismo como forma de sobrevivência na pré-história. A caminhada, por exemplo, era utilizada para se locomover de um lugar para o outro. A corrida e os saltos, para escapar das presas dos animais carnívoros. O arremesso era usado para se defender e matar animais que serviam de alimento. Desta forma, os homens e as mulheres foram adquirindo habilidades que, mais tarde, foram aprimoradas e adaptadas para as competições de atletismo.

Atletismo na Era Antiga

A história diz que os primeiros eventos esportivos organizados foram realizados por volta de 1200 a.C., no "Monte Olímpicus", na Grécia. Próximo a este local foi construído um palco esportivo para sediar os Jogos Olímpicos. Lá, os homens exibiam as suas forças, habilidades físicas e o controle psicológico, tudo em homenagem a Zeus, o rei dos deuses da mitologia grega.

As mulheres, por sua vez, não tinham permissão para participar dos jogos e nem mesmo para assistir as competições masculinas. Mas, em contrapartida, a cada quatro anos, era realizado um evento esportivo só para elas, em homenagem a Hera, esposa de Zeus.

Naquela época, os Jogos Olímpicos eram realizados durante cerimônias culturais e religiosas. Os atletas vitoriosos eram glorificados a altura dos grandes deuses. Em 776 a.C., Corobeus, de Atenas, fez seu nome correndo nu e descalço numa tosca pista de 200 jardas e tornou-se o primeiro atleta a ganhar uma prova olímpica. Ele venceu a prova de velocidade dos 192 metros, tornando-se o primeiro e o mais antigo herói do atletismo. Se não teve direito a uma medalha, mereceu uma estátua e gravou seu nome na história do esporte. Com o tempo, o atletismo ganhou novas modalidades, além de mais brilho e dimensão nos Jogos Olímpicos. Mas em 393 a. C., o imperador romano Theodózius proibiu a realização dos eventos esportivos. Desta forma, os Jogos Olímpicos foram paralisados e a tocha olímpica foi extinta por 1400 anos.

O lema das Olimpíadas, "citius, altius, fortius", que significa mais rápido, mais alto, mais forte, também é derivado do atletismo. A origem da palavra atleta vem do grego athlos, que significa competição. A palavra estádio também surgiu devido ao atletismo, vem do grego stadion que era uma antiga medida equivalente a, aproximadamente, 180m. As corridas nessas distâncias eram muito populares.

Atletismo na Era Moderna

Em 1896, o francês Pierre de Fredy, Barão de Coubertin, reativou os festivais esportivos. A primeira versão dos Jogos Olímpicos da era moderna foi realizada em Atenas, na Grécia. Participaram 285 atletas, de 13 países. Desde então, a tocha olímpica foi reacendida com a finalidade de promover paz entre a comunidade mundial. A intenção do Barão de Coubertin era de unir os povos pelo esporte.

Atualmente, os Jogos Olímpicos são realizados, de quatro em quatro anos, em países e cidades diferentes. O atletismo continua sendo a atração principal. São 26 provas masculinas e 23 femininas.

Provas Olímpicas de Atletismo

Provas de velocidade: 100m, 200m, 400m
Revezamentos: 4 X 100m, 4 X 400m
Provas de meia distância: 800m e 1500m
Provas de longa distância: 3000m com obstáculos, 5.000m e 10.000 e Maratona (42km)
Provas de Marcha Atlética: 10.000m (Fem.), 20.000m(masc.) e 50.000m(masc.)
Provas de velocidade com barreiras: 100m (fem.), 110m (masc.) e 400m
Provas de saltos horizontais: Salto em Distância e Salto Triplo
Provas de saltos verticais: Salto em Altura e Salto com Vara
Provas de lançamento: Lançamento do Dardo e Lançamento do Disco
Provas de arremesso: Arremesso do Martelo(masc.) e Arremesso do Peso

Provas Combinadas

Decatlo (10 provas): 100m, 110m (c/barreiras), 400m, 1500m, Lançamento do Dardo, Lançamento do Disco, Arremesso do Peso, Salto em Altura, Salto com Vara e Salto em Distância

Heptatlo (7 provas):

Corridas

As corridas são, em certo sentido, as formas de expressão atlética mais pura que o homem já desenvolveu. Embora exista algo de estratégia e uma técnica implícita, a corrida é uma prática que envolve basicamente o bom condicionamento físico do atleta.
As corridas dividem-se em curta distância ou velocidade (tiro rápido), que nas competições oficiais vão de 100, 200 e os 400 metros inclusive; média distância ou de meio fundo (800 metros e 1 500 metros); e longa distância ou de fundo (3 000 metros ou mais, chegando até às ultra maratonas de 100 quilômetros). Podem ser divididas também de acordo com a existência ou não de obstáculos (barreiras) colocados no percurso.

Nas corridas de curta distância, a explosão muscular na largada é determinante no resultado obtido pelo atleta. Por isso, existe um posicionamento especial para a largada, que consiste em apoiar os pés sobre um bloco de partida (fixado na pista) e apoiar o tronco sobre as mãos encostadas no chão (posição de quatro apoios). São frequentes as falsas partidas, quando o atleta sai antes do tiro de partida, que é o sinal dado para começar a prova. Qualquer atleta que dê uma falsa partida será desclassificado. Contudo, nas provas combinadas (ex decatlo) cada atleta tem direito a uma falsa partida. Nas provas mais longas a partida não tem um papel tão decisivo, e os atletas saiem para a corrida em uma posição mais natural, em pé, sem poder colocar as mãos no chão.

Maratona

A maratona, a mais famosa das corridas de resistência, baseia-se na legendária façanha de um soldado grego, Filípides, que em 490 A C correu o campo de batalha das planícies de Maratona até Atenas, numa distância superior a 35 km, para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas. Uma vez cumprida a missão, caiu morto. As maratonas modernas exigem um percurso ainda maior: 42.195 m. É uma corrida de longa distância ou de fundo, realizada parcialmente ou totalmente fora do estádio, ou seja em estrada.

A maratona é uma prova que envolve grande resistência física, sendo seu percurso estabelecido em 42 quilômetros e 195 metros (aceite tolerância por excesso de + 42 metros). Organizam-se ainda corridas de cross country ou um "corta-mato" de campo e de montanha. Em pista podemos ainda assistir a corridas de barreiras e de obstáculos

Lançamentos

As disciplinas oficiais de lançamento envolvem o arremesso de peso, o lançamento de martelo, o lançamento de disco e lançamento do dardo. O arremesso no Brasil lançamento em Portugal de peso consiste no arremesso de uma esfera metálica que pesa 7,26 kg para os homens adultos e 4 kg para as mulheres. O martelo é similar a essa esfera, mas possui um cabo, o que permite imprimir movimento linear à esfera e assim atingir uma distância maior. Já o disco é um pouco mais leve, pesando 1 quilograma para as mulheres e 2 quilogramas para os homens. E o dardo pesa 600 gramas para as mulheres e 800 gramas para os homens.

Os lançamentos são executados dentro de áreas limitadas, são círculos demarcado no solo para o arremesso ou lançamento de peso, de martelo e disco, e antes de uma linha demarcada no solo para o lançamento do dardo. A partir dessas marcas é que é contada a distância dos lançamentos. Normalmente as competições envolvem várias tentativas por parte dos atletas, que aproveitam as melhores marcas obtidas nessas tentativas. As provas de lançamento são normalmente praticadas no espaço interior à pista das corridas.

A origem desta atividade é também irlandesa, pois nos jogos Tailteanos, no início da Era de Cristo, os celtas disputavam uma prova de arremesso de pedra que pelas descrições se assemelhavam à prova atual. Alias, é interessante notar que na Península Ibérica, nas províncias onde ainda se encontram concentrações humanas etnicamente celtas, Galiza na Espanha e Trás-os-Montes em Portugal, ainda se disputa uma competição chamada de “arremesso do calhau”, que se assemelha ao nosso moderno arremesso do peso. De qualquer forma, a codificação da prova, tal como ela é hoje, é totalmente britânica, inclusive o peso do implemento, 7,256 kg, correspondente a 16 libras inglesas, que era precisamente o que pesavam os projéteis dos famosos canhõesséculo XIX. britânicos do início do

As primeiras marcas registradas pertencem ao inglês Herbert Williams, que em Londres, em 28 de maio de 1860, lançou o peso a 10,91 m, e o da Era IAAF ao americano Ralph Rose, que em 21 de agosto de 1909 arremessou 15,54 m em São Francisco. William Parry O’ Brien revolucionou esta prova, criando um novo estilo, no qual o atleta começa o movimento de costas para o local do arremesso. Parry O’ Brien venceu os Jogos Olímpicos de Helsinque e Melbourne, ganhou a prata em Roma e ainda se classificou em 4º lugar em Tóquio 12 anos depois de iniciar a sua carreira olímpica. Foi também o primeiro atleta a vencer mais de 100 competições consecutivas. No Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi do atleta E. Engelke, vencedor do primeiro Campeonato Brasileiro de 1925, com a marca de 11,81 metros.

Saltos

As provas de salto podem ser divididas em provas de salto vertical e de salto horizontal. Dentre as provas de salto vertical, temos o salto em altura e o salto com vara. As provas de salto horizontal envolvem o salto em distância chamado também de salto em comprimento e o salto triplo ou triplo salto. Os atletas tomam impulso numa pequena pista de balanço, objetivando maior distância no salto. O salto em altura, que tem por objetivo ultrapassar uma barra horizontal (fasquia), é realizado mediante tentativas. A fasquia é colocada em determinada altura à qual os atletas devem tentar saltar. Se conseguirem, os atletas progridem para a próxima altura a que os Juízes colocarem a fasquia.

Qualquer atleta que realize três derrubes da fasquia (3 ensaios nulos), será impedido de continuar, sendo creditado com a marca correspondente à maior altura em que conseguiu realizar uma ensaio válido. O salto com vara funciona do mesmo modo, mas neste salto, o atleta tem o apoio de uma vara. Em ambos os saltos, há um colchão para amortecer a queda do atleta após o salto.

No salto em distância e no salto triplo / triplo salto, o atleta faz sua aterrissagem numa caixa de areia. Há uma tábua de chamada na pista que indica o limite máximo de corrida de balanço antes do salto; caso o atleta ultrapasse ou toque nessa marca, realizará um ensaio nulo. Caso tenha saltado antes da tábua de chamada, a distância do ensaio será considerada apenas entre o limite na tábua de chamada até o local onde aterrissou. É importante destacar que vale o ponto de aterrissagem mais próximo à tábua de chamada.

Provas combinadas

Algumas competições esportivas envolvem uma combinação de várias modalidades, no intuito de consagrar um atleta mais completo. As provas oficiais do decatlo (para os homens) e do heptatlo (para as mulheres) combinam corridas, saltos e lançamentos. Os atletas pontuam de acordo com as suas marcas nas provas individuais (tendo por base uma tabela de conversão de marcas por pontos), e esses pontos são somados para definir o vencedor.

A pista

A pista de corrida normalmente contém 8 raias, cada uma com 1 metro e 22 centímetros que são os caminhos pelos quais os atletas devem correr. Deste modo, a largura da pista é de no mínimo 10 metros, com algum espaço além das raias interna e externa. Uma pista oficial de atletismo é constituída de duas retas e duas curvas, possuindo raias concêntricas; tem o comprimento de 400 metros na raia interna (mais próxima ao centro). A raia mais externa é mais longa, possuindo 449 metros. Nas corridas de curta distância, os atletas devem permanecer nas raias a partir das quais largaram. Nas corridas de média e longa distância, os atletas não precisam correr nas raias, e geralmente se encaminham para a raia mais interior, evitando percorrer distâncias maiores.

As barreiras têm 1,06 metros, nas competições para homens, e de 84 centímetros, nas competições para mulheres. Se o atleta derrubar as barreiras enquanto corre, não é desclassificado - conquanto perca tempo substancial. As corridas com barreiras têm 10 obstáculos. Embora a maratona seja disputada nas ruas de uma cidade ou em um local externo, o seu trajeto é estabelecido de modo que a chegada se dê num estádio ou pista de atletismo.

No Brasil

A primeira participação do atletismo do Brasil em Olimpíadas aconteceu nos Jogos de Paris, em 1924. Já o primeiro resultado importante, veio em Los Angeles, nos Jogos Olímpicos de 1932, com o 6° lugar de Lúcio de Castro no salto com vara.

O atletismo sempre conseguiu expressivos resultados internacionais para o Brasil. É o esporte com o maior número de medalhas conquistadas em Olimpíadas, juntamente com a Vela, e em Jogos Pan-Americanos. Além disso, as seleções nacionais mantêm, desde 1974, absoluta hegemonia na América do Sul.

Seis atletas brasileiros estabeleceram 8 recordes mundiais em provas olímpicas, sendo 7 no salto triplo e 1 na maratona, sempre no masculino.

A primeira competição de atletismo no país foi o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, que aconteceu em 1929. Em 1945, foi criado o Troféu Brasil de Atletismo, que é, nos dias atuais, a principal competição nacional da modalidade.

Em 2 de dezembro de 1977, foi criada, no Rio de Janeiro, a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), que hoje, tem sede em Manaus. Antes de 1977, o atletismo estava sob responsabilidade da CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Hoje, a CBAt representa, além das 27 federações, mais de 500 clubes, 20 mil atletas, 900 árbitros e 700 técnicos federados.


Referências Bibliográficas:

Federação Paulista de Atletismo

Confederação Brasileira de Atletismo

www.wikipedia.com.br




"O principal objetivo da vida não é a vitória, mas a luta; o essencial não é vencer, mas lutar. Vamos exportar nossos atletas para promover a paz. Esse é o mercado livre do futuro." (Pierre de Coubertin, fundador da Olimpíada Moderna)





segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"TÔ" VIVA




Após alguns dias de férias (que aproveitei para renovar as minhas energias) essa semana retornei às atividades escolares. Na segunda fui ao colégio para arrumar os meus horários, rever o planejamento, e os colegas de trabalho. Muito sentir aquela energia e ver os preparativos pra mais uma ano letivo. Na terça, 1º dia de aula, logo que entro na escola as crianças já chegavam a perguntar "tia" quando agente vai ter aula? "Tia" você vai ser professora da gente? "Tia" que saudades. Centenas de bom dias (espero que esteja certo isso), abraços, sorrisos (alguns tímidos, outros bem abertos), e essa esfera escolar de alegria e contentamento foi tomando conta de mim.

Cheguei em casa eufórica, alegre, feliz, senti de novo sangue correndo dentro de mim, quando entrei na quadra me senti mais viva do que nunca em meu "habitat natural". Vontade de trabalhar, estudar e planejar minhas aulas, algo que eu tinha perdido em 2010, esse desejo de fazer o melhor a cada aula; o cansaço e a desmotivação tomaram conta de mim. Sei que os desafios de 2011 estão apenas começando e que nem todos os dias serão esse mar de rosas, que as lutas são diárias pra educar, motivar, ensinar crianças e adolescentes de todas as naturezas (hiperativos, agressivos, colaboradores, pirracentos, tranquilos, atentos, viajantes etc...) e o desejo de encarar mais esse ano é enorme e espero conseguir me manter assim até o fim.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Uma Política Nacional de Esporte


Todas as ações do Governo Federal na área do esporte seguem, hoje, uma Política Nacional de Esporte, algo inédito no Brasil. São conceitos e ações desenvolvidos pelo Ministério do Esporte. Eles abrangem todos os tipos de esporte, da recreação à competição, e visam a beneficiar todos os brasileiros, em especial aqueles social e economicamente excluídos.


Veja aqui um resumo dessa política:

:: 1 . Um novo conceito

Recentemente, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, divulgou um documento intitulado Esporte para o Desenvolvimento e a Paz. É um relatório que faz uma análise da situação do esporte no mundo e propõe ações práticas para os governos. E é impressionante ver a sintonia que existe entre o que já estamos fazendo aqui no Brasil e o que propõe a ONU.
Essa política trata do esporte em quatro níveis:

1. Esporte social - instrumento de inclusão social (em todos os tipos de esporte, há o fator inclusão social, mas há, também, uma política específica para isto);

2. Esporte Educacional - complemento à atividade escolar (política global, que envolve o esporte além da disciplina Educação Física, e a revitalização dos jogos estudantis e universitários);

3. Esporte de alto rendimento - o esporte competitivo (com o esporte para milhões, produziremos muitos atletas - e estes servem de exemplo para a prática de esporte por milhões); e

4. Recreação e Lazer - Esporte como qualidade de vida: saúde e bem-estar físico e psicológico (incentivo à prática esportiva para todos, como parte do cotidiano).

O esporte não é, para nós, um instrumento para atacar apenas este ou aquele problema, por mais grave que seja. O esporte é, isto sim, um poderoso fator de desenvolvimento humano num sentido mais amplo, porque contribui de forma decisiva para a formação física e intelectual das pessoas.

Como recreação ou como competição, o esporte só traz vantagens para todos nós – e por isso deve ser tratado como uma atividade essencial, como a saúde e a educação. O esporte introduz nas crianças valores como a solidariedade, o respeito ao próximo, a tolerância, o sentido coletivo e a cooperação.

Um jovem que pratique esporte encontrará mais facilidade de arranjar emprego, pois terá mais disciplina, capacidade de liderança, respeito a regras e noções de trabalho em equipe.

O esporte também previne doenças e garante o bem-estar físico e mental das pessoas, e com isso nos passa um sentimento de paz. O esporte previne e cura grande parte das doenças não-contagiosas que afetam a humanidade. Além do mais, faz com que a pessoa ganhe consciência a respeito do funcionamento do corpo humano.

:: O esporte traz...

  • solidariedade
  • auto-estima
  • comunicação
  • tolerância
  • respeito ao próximo
  • disciplina
  • sentido do coletivo
  • cooperação
  • respeito a regras
  • noções de trabalho em equipe
  • capacidade de liderança
  • vida saudável.

:: O esporte evita...

  • doenças
  • evasão da escola
  • uso de drogas
  • criminalidade


::
2. O esporte como fator de inclusão social

O esporte é, neste Governo, um poderoso instrumento de inclusão social. É prioridade atender o universo de 32 milhões de crianças e adolescentes, de 0 a 17 anos de idade, que vivem em situação de pobreza absoluta. Ou seja, são de famílias cuja renda mensal não chega a meio salário mínimo por pessoa.

A elas é negado o direito constitucional de acesso a atividades de esporte e lazer. É possível, porém, corrigir essa distorção, com programas que já estão em execução e que demonstram ser o esporte o caminho mais rápido para a inclusão social dessas populações.

Em várias linhas de ação, o Ministério do Esporte persegue esse objetivo, com resultados que têm recebido repetidos elogios do presidente Lula. São ações arrojadas e criativas, de rápida implantação e de baixo custo.

Ao criar o Ministério do Esporte, o governo do presidente Lula já demonstrava a prioridade que pretendia dar ao setor, como instrumento de inclusão social. Em menos de um ano, o Ministério apresenta resultados altamente positivos. O segredo disso está na mobilização social, no aproveitamento da enorme vontade de participação da sociedade brasileira.


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3. Esporte na Escola

O Programa Segundo Tempo, que já está em franco desenvolvimento, é um exemplo disso. Trata-se de uma enorme parceria, um verdadeiro pacto nacional pelo desenvolvimento humano de nossas crianças, por meio do esporte.

O Segundo Tempo significa um turno a mais na escola, para crianças de 7 a 17 anos, com reforço alimentar e escolar. Sua finalidade é, em primeiro lugar, democratizar o acesso à prática esportiva. Além de estender a permanência da criança e do adolescente na escola, possibilitando o seu desenvolvimento integral.

Este horário adicional é preenchido com atividades esportivas, sob a orientação de uma enorme rede de professores de educação física e monitores estagiários, treinados e contratados para este fim.

Já são mais de 300 mil crianças que fazem parte do Programa. Serão 800 mil até o final do ano e 3 milhões nos próximos três anos

O programa tem a participação de vários Ministérios: da Educação, da Segurança Alimentar, da Defesa, da Justiça, do Trabalho e da Assistência Social. Participam dele, também, empresas, clubes sociais e esportivos, ONGs, universidades, as Forças Armadas, os governos estaduais e municipais, o Corpo de Bombeiros e polícias, sindicatos e associações profissionais.

Esses parceiros oferecem instalações modestas ou de grande porte, como as mantidas pela rede do Serviço Social da Indústria (Sesi). Só em piscinas, são 440 em todo o país, o que é provavelmente a maior lâmina d’água do mundo em uma única instituição.

Para isso, são utilizadas infra-estruturas e equipamentos esportivos já existentes, seja nas escolas ou em instalações de parceiros. O material esportivo é fabricado por detentos que participam do Programa Pintando a Liberdade, dos Ministérios do Esporte e da Justiça. É material esportivo produzido nas prisões e agora também em comunidades de baixa renda de várias partes do País.

O Segundo Tempo é, pois, um programa de custo reduzido e que pode ser implantado com agilidade.

Vale lembrar que, segundo dados da ONU, citando os Estados Unidos como exemplo, para cada dólar investido em esporte, são economizados 3,2 dólares em gastos com saúde.


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4. Esporte para milhões

Está sendo montado, em conjunto com o Ministério da Saúde, um amplo programa de incentivo à atividade física. Esse programa tem como base o município e o princípio da autonomia de cada um para a prática de esportes. Ou seja, as prefeituras ou entidades não precisam de ninguém para abrir pistas de caminhada ou de ciclismo, por exemplo. É preciso apenas que alguém mostre como se faz.

Da mesma forma, as pessoas não precisam de ninguém para incorporar a atividade física como algo tão presente no seu dia-a-dia como tomar banho e escovar os dentes. Basta que alguém lhes diga como fazer. A não ser que a pessoa queira ser atleta, para o que é preciso acompanhamento de profissional do ramo, mas isso é outra história.

Cabe ao poder público formular uma política específica para isso, mostrando o caminho das pedras para as entidades ou prefeituras, e para os cidadãos comuns. É ensinar como se faz uma pista de caminhada, uma ciclovia ou uma quadra de baixo custo. E, ao mesmo tempo, mostrar às pessoas que não é preciso roupa ou tênis de grife para suas atividades físicas.

Ao lado disso, é claro, este programa vai incentivar o aproveitamento de infra-estrutura e equipamentos já existentes nos municípios. E também vai disponibilizar e treinar pessoa para gerir esses espaços, criando atividades de todos os tipos.

Este programa ficará sob a coordenação do Ministério do Esporte, com o nome de Esporte e Lazer da Cidade, com a participação de outros setores do Governo, além do Ministério da Saúde. Este é o parceiro principal, em todas as etapas, desde a formulação do conteúdo técnico até a difusão das mensagens através do Sistema Único de Saúde (SUS) e, em especial, do Programa Saúde da Família. Os Correios (ECT) também participam, principalmente como difusor de materiais.

O Lazer vai tomar conta da sua cidade
e sua cidade vai tomar conta do Lazer.

:: 5. Alto Rendimento

Nas ações do Governo Federal, talvez não haja nenhuma outra atividade tão afeita à transversalidade quanto o esporte. O esporte é inclusão, o esporte é educação, o esporte é saúde, o esporte é segurança pública, o esporte é emprego, o esporte é futuro. É, portanto, fundamental para qualquer política pública na área social.

Entretanto, temos que reconhecer que o Estado não consegue fazer tudo sozinho. Em primeiro lugar, temos que levar em conta que a gestão dos esportes no Brasil, no que se refere ao de alto rendimento, é tradicionalmente privada. As confederações das diversas modalidades (do futebol ao tênis de mesa) e as federações estaduais é que, em última instância, formam os selecionados, administram as tabelas de campeonatos e assim por diante.

Hoje, graças à Lei Agnelo/Piva, aprovada pelo Congresso em 2001, 2% do bolo total das loterias federais vão para o Comitê Olímpico (85%) e para o Comitê Para-olímpico (15%). Isso significa uma quantia fixa anual de cerca de R$ 60 milhões, o que é vinte vezes maior que a quantia média que era destinada ao setor por ano, até o advento da lei.

Esse dinheiro vai direto da Caixa Econômica para os comitês, que o distribuem às confederações, e todos devem prestar contas de sua aplicação ao Tribunal de Contas da União (TCU), a cada três meses. É possível melhorar os critérios de distribuição, mas de qualquer modo a situação já mudou da água para o vinho, para melhor.

Os bons resultados obtidos pelo Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em agosto passado, já são, em grande parte, reflexos dessa lei. Isso demonstra que, em pouco tempo, é possível melhorar o desempenho do país no esporte de alto rendimento, desde que agindo de forma organizada e planejada.

O governo está empenhado, agora, na aprovação de duas outras leis que beneficiarão financeiramente os esportes. Uma, é a que cria a bolsa-atleta, para assegurar a atividade esportiva de atletas carentes. Outra, de maior vulto, prevê a criação de um sistema incentivo fiscal às empresas privadas que aplicarem recursos em esportes. Uma proposta neste sentido está sendo elaborada sob a coordenação do Ministério do Esporte, para ser enviada ao Congresso.

Além disso, há os patrocínios de empresas estatais para modalidades olímpicas, que são substanciais reforços a essa atividade. Só o atletismo, outrora esquecido, agora tem um patrocínio de R$ 8 milhões anuais da Caixa Econômica Federal, até 2007.

Nestas ações, o governo entra como supervisor e como apoio – esses patrocínios de estatais, por exemplo, foram conseguidos graças ao empenho do Ministério do Esporte. O Estado influi para que boa parte desses recursos seja investida nas bases.

Também aproveitando infra-estrutura já existente, estão sendo criados centros de referência do esporte de alto rendimento e todas as regiões do país. De imediato, estão sendo criados o de São Paulo e o de Manaus. Em São Paulo, é a junção do Centro Olímpico, administrado pela Prefeitura, e o Ibirapuera, administrado pelo Estado. Em Manaus, serão utilizadas as instalações de um centro olímpico do Estado.

:: 6. Fator de desenvolvimento econômico

Além da sua brutal importância como fator de desenvolvimento humano, o esporte também ganha cada vez mais relevância no desenvolvimento econômico. A começar pelo fato de que um trabalhador que pratique algum esporte ou atividade física terá uma saúde melhor, um humor melhor e, com isso, renderá mais em seu trabalho. Se isso se estender a milhões, o efeito na produtividade do país será rapidamente sentido.

Mas não é só isso. Ao redor da atividade esportiva, funciona uma dinâmica econômica geradora de emprego e renda no mundo todo. No Reino Unido, por exemplo, o esporte é responsável por 1,7% do PIB. Isso é comparável à participação de cada um dos setores automobilístico e de alimentação no PIB daquele país.

Não precisamos ir longe para sentirmos a presença do esporte em nossa economia. As fábricas de materiais esportivos, inclusive brindes, empregam milhares de pessoas. Outras tantas atuam na comercialização desses produtos. Muitas mais são funcionárias de clubes, entidades e órgãos públicos que cuidam do esporte. Nos eventos esportivos, os empregos temporários também cumprem papel importante.

Sem contar, é claro, que para os atletas o futebol é uma atividade profissional, no Brasil, desde 1933, e que, nos esportes olímpicos, boa parte dos atletas é profissionalizada através dos patrocínios. Além do mais, grandes somas de dinheiro são aplicadas em direitos de imagem, o que inclui a transmissão de jogos e outros eventos pela TV.

Há, também, os eventos esportivos, que movimentam vultosas somam em obras físicas, para adequar os locais onde serão realizados. O Rio de Janeiro, por exemplo, vai hospedar os Jogos Pan-americanos de 2007. Será construída uma vila Olímpica com 26 prédios de 10 andares, na Barra da Tijuca, e mais estádio e centro olímpico. Além disso, porém, serão necessárias obras de urbanismo e meio ambiente, para cumprir exigências internacionais.

São obras que ficam. Vale lembrar o caso de Barcelona, na Espanha, que ganhou nova vida após as Olimpíadas de 1992. Além do Pan, o Brasil pleiteia sediar também as Olimpíadas de 2012, no Rio de Janeiro, e a Copa do Mundo de Futebol de 2014, em várias cidades. São eventos que, além de movimentar a economia, projetam o país mundo afora, atraindo turistas e investidores.

:: 7. Futebol

Especialmente em relação ao futebol, as entidades esportivas brasileiras são alvos de severas críticas quanto à sua postura ética. Denúncias de corrupção e desmandos são comuns, práticas que, somadas à má gestão da atividade esportiva colocam o setor sob suspeição da sociedade. Sendo assim, é natural que se espere do poder público ações para coibir tais práticas.

No Brasil, inicialmente o Congresso Nacional tomou para si a iniciativa de moralizar o futebol, por exemplo. Em 2001, foram criadas duas comissões parlamentares de inquérito (CPI), uma na Câmara, outra no Senado. Juntas, fizeram verdadeira devassa no futebol brasileiro, encaminhando ao Ministério Público e à Justiça recomendações para o indiciamento de dirigentes de clubes e de entidades por crimes os mais diversos.

Essas ações estão em curso. Mas, mais importante até que a punição deste ou daquele dirigente é a criação de uma consciência nacional de que havia necessidade de mudança – e isso propiciou iniciativas legais que restringem o espaço para atividades ilegais no mundo esportivo.

A Lei de Moralização do Futebol e o Estatuto do Torcedor são duas dessas leis. Em pouco tempo, esses instrumentos legais forçaram os clubes e entidades a mudarem suas práticas e se tornarem mais transparentes. Mas isto ainda é pouco. Como resultado da CPI da CBF/Nike, da Câmara Federal, foi proposto o Estatuto dos Desportos, um código geral para o mundo dos esportes, que está em discussão.

:: 8. Diagnóstico

O último diagnóstico do esporte no Brasil é de 1971, há mais de 30 anos, portanto. Por isso, o Ministério do Esporte, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e várias universidades, já iniciou a elaboração de um novo diagnóstico, que dará uma radiografia completa da atividade esportiva no Brasil.

Este trabalho está sendo coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento do Esporte e Lazer, e deverá estar concluído em um ano. Com ele, saberemos o tamanho real da infra-estrutura esportiva do país, em espaços público ou privados, os equipamentos disponíveis e os recursos humanos em atividade. Serão revelados, também, os tipos de esporte praticados, os conceitos utilizados, as regras em uso e assim por diante.

:: 9. Conferência Nacional

Também em 2004, será realizada a Conferência Nacional do Esporte, uma ampla mobilização da sociedade brasileira para debater os rumos da atividade esportiva no Brasil. Dessa conferência é que nascerão as políticas públicas permanentes para o futuro do esporte em nosso país.