domingo, 11 de dezembro de 2011

Problemas da Educação Física em Sergipe


Há algum tempo estamos acompanhando o desenvolvimento desastroso na Educação Física em Sergipe.

JornaldaCidade.Net

Gladston Santana - Graduado em Educação Física pela UFS





Há algum tempo estamos acompanhando o desenvolvimento desastroso na Educação Física em Sergipe. A disciplina curricular obrigatória em todas as séries desde a educação infantil até o ensino médio perde a cada dia sua tão importante função educacional.

No início da carreira escolar onde temos a necessidade de aprender conteúdos unicamente pertinentes à Educação Física, o primeiro grande sinal de desprezo por essa disciplina pode ser observado: os próprios professores do ensino infantil, em sua maioria formados em Pedagogia, são os responsáveis por ministrar as aulas de Educação Física.

Mais essa falta de respeito com a Educação Física continua no decorrer da vida escolar. No ensino fundamental, é comum encontrarmos professores dando aulas em pleno meio dia, em quadras muitas vezes descobertas e sem as mínimas condições de fazer o aluno assimilar conteúdo algum. Isso acontece porque, na elaboração do planejamento anual de aulas feito pela direção da escola, o único horário que “sobrou” para o ensino dos conteúdos da Educação Física foi aquele do meio-dia naquela quadra insuportavelmente quente e descoberta. Aparentemente, não deve ter sobrado sequer uma sala de aula por que os professores de outras disciplinas devem ocupá-la para passar os seus conteúdos.

Mas o pior ainda estar por vir. Refiro-me ao ensino médio – etapa na qual já deveríamos ter de forma completa uma consciência corporal, uma visão positiva do esporte, um olhar crítico do mundo, um entendimento sobre as transformações globais, uma ajuda na formação de sua própria índole positiva e outras tão importantes intervenções pedagógicas que a Educação Física deveria nos ter transmitido. E na verdade ainda não sabemos nada. Muitas vezes porque as escolas não fizeram questão alguma que os professores tratassem nas aulas de Educação Física de assuntos tão importantes.

Falando dessa relação entre Educação Física e escola, o dilema contemporâneo é ainda maior. Será que para a escola é mais importante que o professor faça de seu aluno um ser pedagogicamente consciente ou que esse mesmo professor vire um “treinador” e faça com que o time da escola seja campeão de alguma competição? Pois é. A fúria da iniciativa privada e o marketing que atingiram o âmbito escolar promoveram uma inversão de objetivos, ou seja, a escola não prepara o aluno para a vida e sim para o vestibular. Para ela, quanto mais aprovados no vestibular, maior também será a parte de mídia utilizada para que novas matrículas sejam realizadas e assim alavanquem ainda mais o nome da instituição.

Nesse contexto, a Educação Física está virando apenas mais uma ferramenta para abrilhantar as campanhas de marketing da escola. Já é comum vermos por aí outdoors com as seguintes frases: “Colégio tal onde seu filho será campeão no esporte e no vestibular” ou “Colégio tal o único que conseguiu 100 medalhas de ouro nos joguinhos escolares”. E, para que o objetivo das escolas seja alcançado, a grande maioria das escolas particulares oferece bolsas de estudos para alunos “atletas” que se destacam em alguma modalidade esportiva. Atenção para o detalhe: se o time conseguir o título, a bolsa é renovada; se não conseguir, está todo mundo na rua, inclusive o professor. Até as emissoras de TV local criaram inúmeras competições para, segundo elas, promover o esporte escolar. Isso não corresponde aos fatos. A verdade é que o professor, dessa forma, tem que se transformar num treinador de esportes de alto rendimento para que sejam conseguidos títulos para a escola durante o ano. Com isso, é comum vermos, durante essas competições, cenas lamentáveis de “treinadores” gritando, brigando e até esbravejando contra seus alunos “atletas”. E aí? Onde fica a pedagogia?

O poder público deveria incentivar a criação de políticas públicas de apoio à Educação Física e ao esporte pedagogicamente corretas. Todavia, o que se vê é uma devoção total ao esporte de alto rendimento, de que o maior exemplo será a realização da Olimpíada e Copa do Mundo aqui no Brasil. Em nível municipal o órgão público responsável pelo esporte tem como carro chefe o “Bolsa Atleta”, programa de transferência de renda para atletas de alto rendimento.

Como é possível perceber, é preocupante a situação da Educação Física nos dias atuais em Sergipe. Esse quadro só poderá ser revertido com a presença de profissionais capacitados e, principalmente, com sensibilidade pedagógica para exercer a profissão de professor de Educação Física, a qual, quando bem valorizada e respeitada ,torna-se uma ferramenta essencial para o desenvolvimento físico e afetivo de adolescentes e de jovens sergipanos

domingo, 4 de setembro de 2011

Atividade Física para crianças?




Nessas últimas semanas tenho ouvido muito se falar em atividade física para crianças, academia para crianças, musculação para crianças e por ai vai.

Isso me fez parar e refletir sobre o que estamos fazendo com as nossas crianças.

Antigamente, podíamos sair na rua pra brincar: pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, soltar pipa, andar no meio fio, subir em árvores, elástico, casinha, caça ao tesouro, pular corda, jogar bolinha de gude dentre tantas outras brincadeiras infantis, e não tinhamos colesterol, diabetes, hiepertensão nem tão pouco éramos obesas, desenvolviamos força, flexibilidade, coordenação motora, lateralidade, equilíbrio, noção de tempo e espaço, rítmo e de quebra fazíamos amigos e nos divertíamos demais.

Atualmente as crianças vivem cercadas de cuidados e limitações não podem brincar no parquinho porque podem quebrar um braço, não podem brincar na rua por causa da violência ou porque seus pais simplesmente não têm tempo para olhá-las, não podem subir em árvores (se é que ainda existem) porque é perigoso, não podem andar descalças porque ficam doentes, e assim como nós,os adultos, sequer conhecem as outras crianças vizinhas.

Para conter toda essa energia da criançada passamos a dar -lhes video game, computador, televisão, colocar na aula de música, no inglês. Vão e voltam de carro. Ah e ainda têm o dever de casa. As aulas de Educação Física se limitam a uma vez na semana e por apenas 30 min. Ou seja, tiramos das crianças aquilo que lhes é fundamental: brincar, movimentar-se, fazer amigos.

E ai o que elas ganharam com isso? Uma série de doenças. Não só fisiológicas, mas motoras, sociais e psicológicas.

Eis que surgem "academias" especializadas em crianças. Ofertam musculação, ginástica, ambientes preparados para o desenvolvimento de habilidades motoras (parques indoor) coloridos, desafiadores, mas muitas vezes fechados, com ar condicionado e o pior de tudo fazem tudo sozinhas junto com um "professor", "instrutor".

Fico bastante triste quando vejo que atividades como esta http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=CKkTwGB1iGI#! são cada vez mais incentivadas e praticadas por crianças. Onde está a criatividade? E as músicas infantis?

E me preocupo quando passamos aceitar e achar que esses ambientes e essas atividades são normais, como exemplifica essa matéria do Portal da Educação Física http://www.educacaofisica.com.br/noticias/criancas-pequenas-tambem-devem-fazer-exercicios-e-ha-ate-academias-exclusivas-para-elas

Criança precisa apenas de brincar seja na rua, na quadra do prédio, no campinho da esquina, num parque, na pracinha em ambientes abertos, cheio de possibilidades para as crianças experimentarem as suas possibilidades motoras, criarem jogos, aprenderem outras brincadeiras com a presença de várias outras crianças.

Precisamos repensar a nossa postura diante das crianças enquanto pais, professores, adultos.

Atividade Física pra criança é brincar.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O que é Educação Física?


Você sabe o que é Educação Física? O termo Educação Física remete à ideia de educar o físico. Mas o que isso significa? Fortalecer a musculatura? Praticar esportes? Adquirir postura? Bem, a Educação Física nasceu como uma disciplina cujo objetivo era disciplinar os indivíduos a partir dos seus corpos. Ou seja: a Educação Física está historicamente atrelada a um método de dominação do indivíduo.

Para melhor compreendermos como esse processo acontece, é necessário recorrer a um conceito importante do filósofo Michel Foucault: corpos dóceis. Segundo ele, a sociedade moderna (constituída a partir das Revoluções Industrial e Francesa) foi marcada pelo êxodo rural e consequentemente pelo inchaço de pessoas nas grandes cidades europeias. Dito de maneira bastante simplificada, uma vez que as autoridades não tinham pessoas suficientes para trabalhar, foi preciso desenvolver um método em que as pessoas controlassem a si mesmas: a vigia. Trata-se de um mecanismo em que a pessoa se sente vigiada constantemente e que, portanto, dificilmente fará algo que contrarie as regras sociais. Um desses mecanismos é o controle do corpo: ora, à medida que o corpo é disciplinado, sua conduta está sendo disciplinada. É possível, portanto, entender que tornar o corpo dócil – ou disciplinado – já foi um dos papéis fundamentais da Educação Física.

Hoje em dia as coisas mudaram. Há alguns autores, como Medina, por exemplo, que afirmam que a Educação Física não cuida apenas do corpo, mas antes de tudo da mente. A conotação atual do conceito de Educação Física é a de que esta é uma área que trabalha não apenas o corpo em movimento, mas que trabalha a partir do corpo em movimento. Explicando: o objetivo dessa disciplina não é fazer com que as pessoas saibam jogar basquete, mas sim que elas consigam vivenciar essa prática, compreender sua origem, estruturar reflexões sobre o comércio envolvido nos materiais esportivos, sobre a compra e venda de atletas, dentre outras coisas. É por isso que Medina afirma que a Educação Física trabalha corpo e mente.

Outra coisa importante para entendermos melhor a Educação Física é esclarecermos quais são os conteúdos que devem ser ensinados na escola. Você sabe que os conteúdos de Matemática ou de Língua Portuguesa são bem estruturados e deve saber dizer o que está aprendendo nesse momento. Mas você sabe dizer se na sua aula de Educação Física isso também acontece? Você está aprendendo alguma coisa nova nessa matéria? Há um documento do governo federal chamado “Parâmetros Curriculares Nacionais” que apresenta em blocos todos os conteúdos que o professor deve trabalhar ao longo do ensino fundamental. Os blocos são:

1. Esportes, lutas, jogos e ginásticas – Concentram-se neste bloco todos os esportes individuais ou coletivos, os diversos tipos de lutas, jogos populares e/ou tradicionais e diferentes tipos de ginásticas;

2. Atividades rítmicas e expressivas – Localizam-se aqui os diferentes tipos de dança (popular, folclóricas, clássicas, de salão e contemporânea), além de outras práticas que se utilizem do corpo como meio expressivo, tal como o teatro;

3. Conhecimentos sobre o corpo – Este bloco talvez seja o mais importante à medida que se relaciona com os outros dois. Propõe que o professor trabalhe aspectos biológicos, anatômicos e sociais referentes ao corpo, estimulando aulas teóricas em sala de aula.

Assim, é importante que você reflita se o seu professor já propôs atividades diferentes como capoeira, dança moderna, teatro ou corrida de obstáculos para a sua turma. Isso porque todos esses conteúdos, essa diversidade de práticas corporais, fazem parte do currículo escolar. Caso contrário, pergunte ao seu professor quando ele planeja abordar atividades diferentes com vocês. Quem sabe sua sugestão ou curiosidade não pode resultar em uma aula bem interessante!

Por Paula Rondinelli
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP
Mestre em Ciências da Motricidade pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP
Doutoranda em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo - USP



Fonte: http://www.brasilescola.com/educacaofisica/o-que-educacao-fisica.htm